O Post que se segue vai ser longo... e é necessário que seja.
Agora que a poeira assentou, é altura de discutir o assunto João Moutinho com alguma cabeça e menos coração.
Primeiro e para deixar já tudo em pratos limpos: João Moutinho é um excelente jogador.
Segundo: Nunca venderia qualquer capitão do Sporting a um rival, a não ser que o mesmo batesse a cláusula.
E agora a análise a frio. João Moutinho, pese a sua qualidade futebolística, estava há 2 épocas sem acrescentar o que quer que fosse ao futebol do Sporting, desvalorizou-se enquanto futebolista, perdeu mercado e visibilidade (a maior prova é o facto de não ter feito parte dos convocados da selecção).
Há dois anos, João Moutinho expressou publicamente, numa entrevista que pretendia sair do Sporting, numa tentativa desesperada de forçar o clube a aceitar a proposta que havia por ele. Posteriormente, até deu uma entrevista em que disse que não se importava de jogar no rival de Lisboa. A isto o Sporting respondeu com firmeza: Ficou com o jogador, recusou as propostas.
Depois, quando o comportamento do jogador melhorou, o Sporting aumentou o vencimento ao Moutinho e baixou a clásula de rescisão. Ele abdicou de um milhão, que seria o que ganhava se o Sporting rejeitasse propostas superiores a 15 milhões.
No campo, Moutinho assumiu um papel para o qual não está talhado – embora isso, não seja culpa dele. A verdade é que parecia haver um feudo instalado na equipa do Sporting (e de novo, a culpa não é dele – Se lhe dizem para jogar, ele joga) em que o João Moutinho tinha que jogar, a titular e 90 minutos. Assumiu também as bolas paradas (Livres, cantos e penaltys). Tinha a braçadeira de capitão. Continuou a ser um fantástico jogador de equilíbrios indispensável a qualquer equipa, porque o futebol vive de equilíbrios, de ocupação de espaços, de intensidade defensiva (e isso ele tem tudo), mas também mostrou que não tinha a qualidade suficiente para elevar o futebol da equipa para outro patamar – Não tem capacidade para aparecer na área em desmarcações constantes, movimentos rápidos e diagonais, não tem criatividade de passe, não tem um remate extraordinário e não é um prodígio das bolas paradas. Ou seja, com o jogo emperrado, não é o jogador para o desbloquear. E no Sporting, foi-lhe quase sempre pedido que fosse.
Para equilibrar, o Sporting tem outras opções que antes não tinha, e com posse de bola assistimos a um João Moutinho não tinha que participar tanto na primeira fase de construção do jogo. E disso se ressentiu João Moutinho o ano passado. Com Pedro Mendes e Miguel Veloso assumirem essa tarefa, deixou de ser preciso a Moutinho vir atrás buscar a bola. E a Moutinho começou a pedir-se que se preocupasse em desequilibrar… como o fazia Izmailov, ou o próprio Miguel Veloso (com muito mais capacidade de aparecer a finalizar). E Moutinho não respondeu. Tanto que no Sporting 70% das pessoas reclamavam minutos a Matias Fernandez.
Futebolisticamente o Sporting precisava de outra coisa, e o próprio Moutinho precisava de outra coisa. Isso é claro, a forma como as coisas aconteceram não e também não interessa. É indiferente o que vieram dizer Bettencourt e Costinha, assim como será indiferente o que Moutinho vier a dizer.
Caminho novo era o que se pedia e isso teve-se.
Do ponto de vista da direcção, é horrível vender um jogador ao Porto. Mas é legítimo vender um jogador que estava no mercado, pela melhor oferta – Melhor e única. E também me parece claro que o Sporting precisava do dinheiro para conseguir outras opções no mercado. Logo, é legítimo. Resolveram o problema, da única maneira possível, mas não da melhor. O resultado? Dinheiro no cofre, jogador fora, outras opções dentro – Tudo o que se queria.
No que ao futebol diz respeito, o Sporting precisa de um Matias ao mais alto nível e a confirmar o acerto da saída do Moutinho e precisa de começar a época bem. De modo a conseguir fazer uma correcta gestão de ansiedades. Das nossas ansiedades, sócios e adeptos.
E também precisa de olhar em frente e deixar-se de auto-comiseração.